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	<title>Novas Visões &#187; Search Results  &#187;  Luciana Muniz</title>
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	<description>Literatura e Arte. Contos e Fotografia</description>
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		<title>OS SONS DA MADRUGADA  Luciana Muniz</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Dec 2007 03:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ultimo gole passou rasgando por sua garganta. Os termômetros registravam oito graus, mas aquela bebida fez o frio que sentia gelar a alma, desaparecer por alguns momentos. Sentiu a tonteira habitual dos que bebem sem ter nada no estômago para aplacar os efeitos do álcool. Não demorou muito em sentir fome, mas sabia que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p ALIGN="JUSTIFY">O ultimo gole passou rasgando por sua garganta. Os termômetros registravam oito graus, mas aquela bebida fez o frio que sentia gelar a alma, desaparecer por alguns momentos. Sentiu a tonteira habitual dos que bebem sem ter nada no estômago para aplacar os efeitos do álcool. Não demorou muito em sentir fome, mas sabia que um jantar digno era coisa dos bem aventurados, não era para ele. Encolheu-se ainda mais nas sombras, já sentindo o vento gélido da noite, a passar por sua face e desalinhar seus cabelos.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Na viela suja em que se encontrava, o cheiro era insuportável! Mas como era mal iluminada, proporcionava um refúgio seguro para os que não tem um teto para chamar de seu. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Desde a noite em que um maldito marginal descobriu o seu refúgio e lhe aterrorizou a madrugada inteira, passava as noites sobressaltado. Todos os sons que se apresentavam aos seus ouvidos eram devidamente analisados.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Mas de um ele raramente se esquecia: um <i>click</i>. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Sim, um <i>click</i> vindo do revólver onde a bala não encontrou a saída. Em uma destas madrugadas, o tal marginal parecia fugir da polícia quando encontrou abrigo na viela mal iluminada. Tropeçou em uma garrafa de cerveja barata, fazendo um grande barulho e quase sendo pego por seus perseguidores. Soltou um palavrão e no mesmo instante em que sentiu os seus olhos se acostumando com a penumbra, percebeu que não estava sozinho e sacou a arma, procurando o candidato a alvo.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Encostou o cano da arma em sua fronte, falando com uma malícia sádica: </p>
<p><i>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Vamos brincar de roleta russa?</p>
<p></i>
<p ALIGN="JUSTIFY">Não teve tempo de retrucar, de correr para longe ou de gritar, o pilantra era ágil e não demorou em perceber que ele estava desarmado e estava bastante indefeso. Tudo o que ele queria era se livrar daquele medo. Apesar da vida miserável que levava, não gostaria de terminar daquela forma.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Mudo, observou atentamente o processo de retirada das balas do tambor, exceto de uma, a que lhe torturaria madrugada adentro, podendo permanecer no tambor ou cruzar o seu crânio. Ele tinha uma chance em oito a cada rodada. Com um sorriso sarcástico, o infeliz apertou o gatilho e&#8230; <i>click</i>!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Até hoje não consegue descrever o medo que sentiu segundos antes de ouvir o estalinho que decretava que ele ainda viveria mais algum tempo nas ruas de São Paulo. Não sucumbiria nas mãos de um idiota viciado, que queria lhe demonstrar como o revólver que havia furtado valia duas ou três pedras.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Orgulhava-se de ter uma audição lapidada para antever um perigo ou um flagrante de alguma cena inusitada. E não era raro que o inusitado acontecesse.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">As horas passavam e o movimento de pedestres daquela movimentada rua do centro ia cessando lentamente. Tudo foi ficando silencioso&#8230;</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Já era início de mais uma longa madrugada, quando escutou passos ao longe. Os passos foram ficando cada vez mais altos e ritmados, até que pôde distinguir que eram passos femininos. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Não precisou espiar para saber que se tratava de uma das garotas da boate em frente, sempre coloridas em suas roupas mínimas, a vagar pelas calçadas em busca de um novo cliente. Ficou se perguntado como elas suportavam aquelas baixas temperaturas com os seus corpos a mostra. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Mal acabava de pensar nisso e já percebia os passos se distanciando rapidamente, parando por alguns instantes. Depois ouviu o som de uma porta de carro se fechando e em seguida pneus cantando.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Quase adormeceu novamente quando um outro som fez despertar a sua inquietude. Apurou-se no som e percebeu que se tratava de uma folha seca, que bailava pelos ares sendo conduzida pelo vento. A tal folha chamou a atenção de um gato malhado, que tentava conter o seu percurso errante. Somente quando o felino sentiu os pedacinhos da folha entre suas patinhas, sossegou. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">E novamente o silêncio se fez presente, sendo cortado horas depois pelo estrondoso barulho de um trovão. Ele bem que havia sentido algo estranho, como um flash e logo deduziu que havia sido um relâmpago, precedendo os trovões.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Não demorou para que a chuva caísse sobre a cidade adormecida. Teve que providenciar um abrigo em uma das marquises, pois não estava em seus planos passar o dia seguinte com as roupas molhadas em pleno inverno.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Novamente o cansaço de uma vida de privações, aliado com o reconfortante som da chuva, o fez adormecer como uma criança no colo da mãe.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Uma hora havia se passado quando ouviu o som das águas escorrendo pelas bocas de lobo. A claridade de um novo dia trazia consigo os passos apressados dos transeuntes, que não mais lhe permitiriam ter um sono tranqüilo. Então resolveu tatear a parede em que estava escorado e voltou para a viela da madrugada anterior. Com um pouco de sorte as esmolas dadas a um velho pedinte seriam suficientes para um misto quente ou uma garrafa de pinga para o frio da noite. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Companhia?</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Somente os sons proporcionados por suas insones madrugadas&#8230;</p>
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		<title>AGORA SÓ FALTA VOCÊ Luciana Muniz</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 03:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Escritores Inativos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sábado à noite. Ela aguardava ansiosa em seu quarto o telefone tocar, mas ele não tocava! As horas custavam a passar e ela pensou diversas vezes em ligar para o celular dele, mas não queria parecer controladora. Afinal ele havia lhe dito que iria buscá-la para conversarem. E ela sabia que seria uma conversa definitiva. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p ALIGN="JUSTIFY">Sábado à noite. Ela aguardava ansiosa em seu quarto o telefone tocar, mas ele não tocava! As horas custavam a passar e ela pensou diversas vezes em ligar para o celular dele, mas não queria parecer controladora. Afinal ele havia lhe dito que iria buscá-la para conversarem. E ela sabia que seria uma conversa definitiva. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ainda estava aérea nestes pensamentos, quando o telefone enfim tocou.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Atendeu após o terceiro toque para não parecer que estava à sua espera. As mulheres teimam em tentar esconder o que os olhos jamais ocultam&#8230; </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Falou despretensiosamente:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Alô? </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Por favor, o Jurandir está? </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Não tem nenhum Jurandir aqui minha senhora.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Desculpe, foi engano.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Desligou o aparelho um tanto desolada, mas ao mesmo tempo se perguntou se era aquele tipo de relacionamento que desejava para si. Uma eterna espera por alguém que custava a chegar e que quase nunca cumpria as suas promessas.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Já dava a noite por perdida quando o telefone tocou novamente. Atendeu não escondendo o tom melancólico da voz:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Alô&#8230; </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Princesa?</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ele sempre a chamava de princesa desde o início do namoro, mas naquela noite esse costume a irritou profundamente, tanto que ironizou:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Achei que havia desistido da nossa conversa. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Não desisti. Estou em frente ao seu prédio, desce aqui. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Quando ela o viu dentro do carro, teve a certeza de que o amava, ele era naquele instante da sua vida, o único que fazia com que passasse horas olhando para o teto do seu quarto durante a madrugada, quando estava sem sono e imaginando mil e uma cenas protagonizadas pelos dois.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Entrou no carro e ele tentou ser amável perguntado como havia sido a sua semana, inconscientemente sabia que a namorada não estava satisfeita com o relacionamento dos dois. E ela parecia resolvida:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Vamos dar uma volta, aqui na rua os <i>skatistas</i> ficam nos espiando, parecem que nunca viram um casal!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Foram para o Bexiga e optaram por uma das muitas cantinas que o bairro abriga.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Durante o jantar regado a muito vinho, ela explicou que estava chateada com as atitudes dele e com o seu modo nada convencional de gostar. Afinal se estava apaixonado, então porque insistia em deixar o orgulho sempre falar mais alto? Tinha medo de se tornar frágil sucumbindo à paixão?</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ele a ouvia no mais absoluto silêncio, por vezes parecia dar mais atenção ao molho bolonhesa do <i>capelletti</i> do que às suas queixas. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Nada disso passou despercebido por ela, que encarou a indiferença dele como prova de que estava tomando a decisão certa.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Quando ele novamente estacionou em frente ao seu prédio, ela acabava de lhe confessar que estava muito infeliz ao seu lado, pois não conseguia viver uma relação indefinida.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ele ouviu tudo impassível e no final tentou abraça-la. Sempre fazia isso quando queria finalizar uma discussão. Mas desta vez foi diferente&#8230;</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ela se desvencilhou dos seus braços e saiu do carro, não sem antes bater a porta com toda força.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Os <i>skatistas</i> que se reuniam naquela rua da zona oeste pararam suas manobras e olharam a garota entrar apressada no prédio, lutando para conter as lágrimas que ameaçavam inundar sua face a qualquer momento.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Apesar de surpreso com a atitude dela, ele também não perdeu tempo e saiu cantando os pneus.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Da janela do seu quarto ela ainda reconheceu o carro dele uma quadra adiante, aguardando o sinal ficar verde para ir embora, definitivamente&#8230;</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Chorou muito. E horas mais tarde, quando a madrugada já ia alta, resolveu caminhar um pouco pelas ruas da cidade. Apesar de estar visivelmente abatida, não se arrependeu, foi andando sem pensar em voltar, sem temer o fim. Talvez um dia ainda daria boas gargalhadas daquilo tudo, mas naquele momento ela só sentia vontade de chorar e chorar.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Dentro de si sabia que se ele realmente a amasse, iria mudar o seu modo de gostar e demonstraria o seu amor sem receios. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Sabia que era uma mulher interessante, tinha orgulho de ser como era e não se submeteria aos caprichos de homem nenhum! Mesmo que o amasse loucamente. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Daquela noite em diante levou a vida repetindo a si mesma que havia tomado a melhor decisão. Cresceu na profissão, ganhou bastante dinheiro, conheceu lugares espetaculares e renovou quase que totalmente sua rede de amigos, mas sempre tinha a sensação de que faltava algo.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ela sabia que era ele&#8230; </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Durante anos ela tentou entrar em contato diversas vezes, mas ele sempre a repelia. Mesmo assim ela tinha vontade de lhe dizer como realizou parte dos sonhos da adolescência, ou ainda de como havia descoberto a beleza de um pôr do sol na praia. Gostaria de lhe confessar até mesmo, como era a sensação de ser tocada por outros homens e de como nenhum deles conseguiu fazer com que ele saísse dos seus pensamentos.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Depois, recuperada do acesso de insensatez, entendeu que nasceu para perceber o mundo, para conhecer, para saber! Saber, inclusive, que não adiantaria ter o mundo aos seus pés se não pudesse compartilhar tudo isso com alguém especial.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Como ele não lhe dava alternativas, em uma noite em que ela se deixou levar por um ato de completa traquinagem, escreveu no muro em frente à casa dele, com letras muito vermelhas: AGORA SÓ FALTA VOCÊ!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ela sabia que ele entenderia&#8230;</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">
<p ALIGN="JUSTIFY">&nbsp;</p>
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		<title>PARANÓIA URBANA  Luciana Muniz</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Oct 2007 03:10:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritores Inativos]]></category>

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Um ser conflituoso em uma cidade caótica. Deu para imaginar? Assim é um paranóico, ciente apenas da lógica interna que criou para si. 
Rodolpho é uma destas pessoas desconfiadas que até parecem frias emocionalmente, mas que se melindram com facilidade.
O relógio digital do seu quarto marcava 13:26 quando ele botou os pés no chão, logo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Um ser conflituoso em uma cidade caótica. Deu para imaginar? Assim é um paranóico, ciente apenas da lógica interna que criou para si. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Rodolpho é uma destas pessoas desconfiadas que até parecem frias emocionalmente, mas que se melindram com facilidade.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">O relógio digital do seu quarto marcava 13:26 quando ele botou os pés no chão, logo sentindo um arrepio. Mesmo na escuridão proporcionada pelas cortinas fechadas, pôde prever que lá fora a cidade estava mergulhada sobre a fina garoa que lhe dera o conhecido apelido.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Não que não estivesse acostumado com o frio, afinal sua cidadela no Sul do país o havia preparado para suportar baixíssimas temperaturas. Mas essa cidade é estranha! Ainda se lembrava de, no dia anterior, ter amaldiçoado o insuportável calor.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ainda sonolento foi para o banheiro tomar uma ducha quente. Após a ducha e mais desperto, aplicou uma espuma branca sob seu rosto anguloso e se preparava para usar o aparelho de barbear, quando a viu na parede. Foi em uma fração de segundos e quando olhou novamente não a viu mais. Onde ela estava? Por onde tinha entrado? E por onde tinha saído? Se é que havia saído! Perdeu muitos minutos a procurando alucinadamente, mas não a encontrou.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Fez a barba rapidamente e saiu apressado do banheiro, não sem antes olhar mais umas duas vezes para a pálida parede. Arrumou-se e saiu. Checou o bolso da calça jeans e o seu isqueiro estava lá, esperando para ser usado. Checou também se o pacote de <i>trakinas</i> estava no grande bolso da jaqueta, estava. Acendeu um cigarro e aguardou o ônibus.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Olhou em volta e se viu cercado de pessoas dos mais variados tipos. Não se sentia à vontade na companhia de nenhuma delas, naquela cidade caótica não poderia vacilar um só instante, o que carregava era valioso demais.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Tinha o hábito de ler as manchetes dos jornais e se preocupava com as reportagens de furtos, assaltos a banco, assassinatos e todos os crimes que permeiam as grandes metrópoles. Este passatempo só servia para deixá-lo em permanente estado de alerta sobre os mínimos acontecimentos que cercavam o seu dia. Ainda estava nestas considerações quando o seu ônibus apontou no final da avenida, falou a si mesmo mentalmente:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">&quot;Espero que ao menos no Domingo este ônibus não esteja lotado&quot;.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Por um acaso da sorte ele estava em frente a uma idosa que ia descer no próximo ponto e lhe cedeu o seu lugar. Um tanto desconfiado, se acomodou ao lado de uma mulher de cabelos encaracolados e muito molhados, quase a pingar, presos por um elástico colorido. Ela o olhou com curiosidade, pois ele fazia questão de proteger algo que ela não conseguiu identificar o que era, depois voltou sua atenção para a movimentação da rua.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Saindo da avenida, o motorista foi obrigado a abrir as portas de trás do veículo e deixar os passageiros do ônibus quebrado à frente entrar. Eram na sua maioria torcedores do Palmeiras, a caminho do estádio do Pacaembu para mais um clássico contra o Corinthians. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Rodolpho estava sentado do lado do corredor e teve que se encolher mais e mais para não tomar uma <i>bolsada</i> na cara, por descuido dos que se espremiam para passar e chegar a porta de saída do veículo. Enquanto isso, os palmeirenses faziam algazarra no fundo do ônibus, cantando e batucando, deixando a viagem ainda mais tumultuada.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">A mulher sentada ao lado de Rodolpho sentiu algo cutucando a sua cintura. E como uma típica paulistana, estava vacinada contra as artimanhas dos ladrões e sabia que muitos se aproveitam de ônibus lotados para furtar os passageiros, principalmente as mulheres. E ainda mais aquele homem esquisito ao seu lado, ela teve certeza de que era um mau elemento. Falou um pouco alterada:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Eu não tenho dinheiro não, moço! </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Desculpe, não entendi? </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Não vou te entregar a minha bolsa! Pode atirar se quiser, eu vou descer! </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Hã!?</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Mas ele não teve tempo de entender o que estava acontecendo com aquela mulher, ela passou rapidamente por ele e se espremeu para descer o mais rápido que pôde do ônibus, estava pálida e parecia que tinha visto um fantasma. Todos repararam na sua pressa. Muitos reclamaram da sua falta de educação ao quase empurrar as pessoas no corredor. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Gente! Aquele homem quer me assaltar!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Todos pararam de reclamar e olharam ao mesmo tempo para o sujeito narigudo de jaqueta <i>jeans</i>, agora sentado do lado da janela. Uma senhora se preparava para ocupar o lugar ao lado de Rodolpho, mas ao ouvir a moça, parou e ficou lhe observando. Por fim falou:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– E é tão cara de pau que finge que não é nem com ele!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Neste momento os palmeirenses pararam a batucada e a moça ainda acrescentou:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Tem um corinthiano ali que quer me assaltar!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">O que parecia ser o líder dos torcedores foi logo decretando:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– <i>Vamo</i> encher o maluco de porrada!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">A confusão estava armada no ônibus, a mulher desceu do veículo lotado e parou para observar o ônibus se afastar com os palmeirenses se movimentando para pegar aquele que tentou lhe assaltar.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">O ponto de Rodolpho havia enfim chegado, que sufoco para descer! Um bando de palmeirenses procurando por um corinthiano inexistente dentro do ônibus lotado! Gente maluca! </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Olhou novamente para o bolso da jaqueta e ficou tranqüilo ao perceber que o seu pacote de <i>trakinas</i> estava a salvo depois de toda aquela confusão.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Passou por uma guarita policial e ao perceber um dos guardas olhando demoradamente para ele, aconchegou mais e mais o pacote de bolachas na jaqueta e passou a andar mais rápido. O policial fez um discreto sinal para o seu companheiro e ambos foram ao seu encalço.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ao perceber que os policiais estavam lhe seguindo, Rodolpho entrou em pânico. Para onde ele correria? Não conhecia aquele bairro direito e se entrasse em uma rua sem saída? Não teria escapatória. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Ei você! Parado!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Parou imediatamente, tentando esconder a angústia que sentia. O guarda que primeiro observou o seu comportamento suspeito foi logo perguntando:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– O que você está escondendo aí? </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Rodolpho foi encostado na parede e minuciosamente revistado, o guarda não encontrou nenhuma arma, bomba ou drogas. O sujeito estava limpo.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Falou, bem decepcionado com o seu faro para marginais:</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– O cara não tem nada Arnaldo. Só um pacote de bolachas! </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– Um pacote de bolachas? </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">– E das recheadas!</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Os dois policiais caíram na gargalhada e Rodolpho saiu pisando duro, como poderiam rir do seu precioso pacote de bolachas? O que havia de errado com suas bolachas? Seria o sabor? Policiais estranhos&#8230;</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Quando a tarde ameaçava ceder espaço para uma noite fria e chuvosa, resolveu voltar para casa, tinha comido todas as bolachas do pacote. Agora uma terrível sensação de solidão tomava conta de Rodolpho, que não possuía mais um objeto de obsessão para proteger dos olhos curiosos de todas as pessoas loucas da cidade.</p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Horas mais tarde estava novamente na escuridão do seu quarto, pronto para mais uma noite de sono antes de encarar o trabalho na segunda-feira. Foi quando ouviu ruídos que vinham do banheiro. Caminhou lentamente até lá e ao abrir a porta a viu. </p>
<p ALIGN="JUSTIFY">Ela parecia zombar do seu medo, seria uma longa noite até dar cabo daquela que o perseguia de forma inescrupulosa: a maldita lagartixa!</p>
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		<title>O SANTEIRO  Luciana Muniz</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Sep 2007 04:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Andava pensativa pelo cemitério naquela manhã de Domingo, havia tempos que estava em dívida com sua mãe. Sua sepultura estava abandonada e as flores há muito deviam estar murchas. Preferiu a solidão para a tarefa e não se importou com o intenso sol matinal a lhe convidar para aproveitar o burburinho da cidade junto aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Andava pensativa pelo cemitério naquela manhã de Domingo, havia tempos que estava em dívida com sua mãe. Sua sepultura estava abandonada e as flores há muito deviam estar murchas. Preferiu a solidão para a tarefa e não se importou com o intenso sol matinal a lhe convidar para aproveitar o burburinho da cidade junto aos amigos, que se reuniam regularmente no Parque do Ibirapuera.
</p>
<p align="justify">Chegando à sepultura teve uma grata surpresa, tudo estava em perfeita ordem! Diversos tipos de flores rodeavam a lápide e ao lado uma escultura de madeira de Santo Antônio repousava, como que abençoando o descanso de sua mãe. Olhou ao redor ainda na vaga esperança de encontrar alguém que soubesse lhe dizer quem havia feito aquele mimo póstumo à sua querida mãe.
</p>
<p align="justify">Ajoelhou-se diante da lápide, deixou suas flores próximas à figura do santo e rezou demoradamente. Para ela era como um ritual, sempre que tinha um problema de difícil resolução ou que se encontrava indecisa quanto aos rumos que deveria tomar, visitava o cemitério e rezava por sua mãe. Quando ia embora se sentia mais leve e então o pensamento começava a clarear, sempre lhe apontando a melhor saída. Jamais conhecera seu pai, mas sempre teve o apoio incondicional da mãe, uma bela nordestina que veio desbravar a metrópole em busca de uma vida melhor, vida esta que o pequeno lugarejo onde nasceu não lhe proporcionava.
</p>
<p align="justify">Terminando suas preces foi se retirando lentamente, mas parou quando avistou um dos coveiros do enorme cemitério.
</p>
<p align="justify">– Moço, por acaso viu se alguém veio visitar aquele túmulo recentemente? – Disse apontando para a florida lápide.
</p>
<p align="justify">– Oi dona! Veio sim, foi um senhor que inda ontem deixou esse mundaréu de flor no túmulo.
</p>
<p align="justify">– E quanto ao santo? Sabe se foi ele também?
</p>
<p align="justify">– Foi sim. Vai ver sabia que a falecida era devota de Santo Antônio.
</p>
<p align="justify">Tudo aquilo soava muito estranho, ela nunca soube que a mãe era devota de santo algum, muito pelo contrário! Sempre se mostrou avessa à religião e se esquivava de comparecer à igreja, principalmente em casamentos, o que era até embaraçoso de explicar aos familiares e amigos.
</p>
<p align="justify">Ainda caminhava pensativa quando o coveiro, ao ver sua estranheza, acrescentou na tentativa de ajudar:
</p>
<p align="justify">– Ele deve ter trazido o santo ontem, das outras vezes ele só trouxe flores&#8230;
</p>
<p align="justify">– Das outras vezes?
</p>
<p align="justify">– É&#8230; – Disse o coveiro um tanto arrependido, tentou ajudar e agora estava à mercê da curiosidade crescente da jovem, mas ainda acrescentou:
</p>
<p align="justify">– Vejo ele por aqui todo dia treze.
</p>
<p align="justify">Apesar de ainda atordoada com o mistério que se formava, agradeceu ao coveiro e tomou o rumo de casa. Tinha os seus próprios problemas, mas tão logo os resolvesse ia procurar pela caixa de documentos da mãe, talvez ali pudesse encontrar respostas para o enigma.
</p>
<p>
</p>
<p align="justify">Em alguma destas janelinhas iluminadas que existem aos montes pela cidade e que abrigam a solidão de tantas pessoas, um senhor estava debruçado na sacada observando a cidade que nunca para. Quem o visse naquele instante não imaginaria o que ia em seus pensamentos nos últimos meses. De repente foi inundado por recordações que ele supunha já resolvidas em seu coração. Bastou ler um aviso de falecimento em um jornal antigo para que tudo viesse à tona. O nome era bastante comum: Maria Inês. Mas o sobrenome não deixou dúvidas sobre a identidade daquela que modificou tão profundamente a sua vida: Bianco de Castro. Checou a data de nascimento e então suas dúvidas se dissiparam, era mesmo a sua Inês. Sua? Não, ela não era sua&#8230; Na verdade ela nunca havia sido verdadeiramente sua.
</p>
<p align="justify">Relutou o máximo que pôde para não se lembrar daquela noite, não queria perder o controle novamente, mas foi em vão. As cenas do seu passado em um lugarejo do nordeste desfilaram por seus pensamentos sem pedir licença e pouco se importando com sua reação pesarosa.
</p>
<p>
</p>
<p align="justify">Naquele tempo eram tão jovens e sonhadores, estavam apaixonados e em breve se casariam. Sabiam que seria difícil viver naquele lugarejo tão precário, mas planejavam se mudar para uma cidade maior, onde as oportunidades eram melhores. Ela costurava muito bem e ele havia aprendido com o pai a arte de esculpir em madeira. Os dois tinham o seu ofício e fariam uso dele para garantir um futuro melhor.
</p>
<p align="justify">João estava especialmente alegre naqueles dias, havia terminado uma importante encomenda para a única igreja de sua cidade, uma imagem de Santo Antônio feita em madeira de imburana. Até então aquela era a sua obra-prima.
</p>
<p align="justify">O dia do casamento havia chegado rapidamente e, como manda a tradição, ao cair da noite João foi aguardar por sua noiva no altar da pequenina igreja. Olhou orgulhoso para todos os parentes e amigos que chegavam para testemunhar sua união com Inês.
</p>
<p align="justify">Porém os minutos passavam depressa e nada da noiva aparecer. Discretos cochichos começavam a ecoar pela igreja e João percebeu que algo estava errado, contudo não deixou o altar e aguardou nervosamente por sua Inês. Duas horas e meia se passaram até que a mãe da noiva chamou João na sacristia e aos prantos lhe mostrou um bilhete:
</p>
<p align="justify">Peço desculpas pela vergonha que lhes faço passar, mas não posso me casar.
</p>
<p align="justify">Fiquem com Deus.
</p>
<p align="justify">Inês.
</p>
<p align="justify">João não podia acreditar nas míseras linhas que acabava de ler, por que Inês o havia abandonado? O que aconteceu com o amor que dizia sentir por ele?
</p>
<p align="justify">Os familiares saíram atordoados da igreja, os convidados pediam explicações, mas a única informação que obtinham era de que não haveria mais casamento, pois a noiva partiu e não disse para onde. O pai de Inês não se conformou com a atitude da filha e reuniu várias pessoas para procurarem por ela nos limites da cidade. Não deveria estar longe, pois o ônibus que parte para a capital havia passado de manhã e Inês ainda estava em casa nesta hora, ele sabia. Ela estava estranha, pensativa e com ar tristonho, tanto ele quanto sua esposa haviam reparado, mas atribuíram ao nervosismo natural das noivas.
</p>
<p align="justify">Somente dias depois foi descoberto que Inês partiu para São Paulo acompanhada de Tenório Bianco de Castro, filho de um rico fazendeiro da região, que também não se mostrava nada contente com a união do seu herdeiro com uma costureira.
</p>
<p align="justify">João enlouqueceu perante esta revelação, em diversos momentos percebeu o interesse de Tenório em sua noiva, mas confiava cegamente em Inês, jamais imaginou que ela pudesse sucumbir às suas falsas promessas.
</p>
<p align="justify">Em um momento de desespero, invadiu a igreja olhando com ferocidade para a imagem de Santo Antônio, que ironicamente emanava calma e paz, tudo o que ele não possuía dentro de si naquele momento.
</p>
<p align="justify">Com muito custo fez a pesada escultura tombar ao chão, produzindo um enorme barulho. O padre e o sacristão vieram imediatamente ver o que estava acontecendo e testemunharam um João transtornado a golpear com um machado a escultura que havia feito com tanta dedicação. Ainda tentaram conte-lo, mas ele não ouvia, estava consternado, precisando deixar esvair toda a decepção e vergonha que sentia por amar uma mulher que não merecia o seu amor.
</p>
<p align="justify">Esta passagem sombria na vida de João o transformou para sempre, nunca mais foi o mesmo, nunca mais sorriu, nunca se esqueceu. Nunca. Na cidade ficou conhecido como João de Santo Antônio, alusão ao trágico acontecimento na igreja. Os habitantes da cidade passaram a temê-lo e ele naturalmente foi se esquivando da companhia das outras pessoas, preferindo se recolher em sua dor.
</p>
<p align="justify">A cada acesso de fúria que tinha quando era atordoado pelas lembranças, saia em busca de madeiras de talhe fácil, amolava suas ferramentas e trabalhava arduamente em esculturas que deslumbravam os olhos dos compradores, tanto pela perfeição quanto pelos minuciosos detalhes. Foi a maneira que encontrou de conter a parte ferida do seu coração, compensando a solidão que sentia e que não superava, transformando dor em arte.
</p>
<p align="justify">Os anos passaram e ele adquiriu certa reputação entre os escultores, sendo frequentemente convidado a participar de exposições. As encomendas em série começaram a aparecer e quando achou que deveria, mudou-se para São Paulo adotando o codinome com o qual ficou conhecido em sua terra. Porém se recusava terminantemente a esculpir o santo, alegava motivos pessoais.
</p>
<p align="justify">Numa tarde em que estava trabalhando em mais uma encomenda, avistou um jornal velho ao lado da escultura que acabava de terminar. Ao acaso o pegou para retirar o excesso de betume na base da estatueta, foi quando avistou o nome que tanto o perturbava. Parou a operação e leu o aviso de falecimento, que ocorrera no dia 13 de Junho.
</p>
<p align="justify">Não foi difícil para ele descobrir o local de sepultamento e desde então, a cada dia treze passou a visitar o túmulo, para se fortalecer e reafirmar em quem havia se transformado graças à traição daquela mulher. Se não fosse por ela, ele não seria capaz de se superar a cada escultura, não daria tanta importância aos detalhes, não se esforçaria para ser o melhor e fazer o seu nome ecoar pela cidade, sendo referência para a nova geração de escultores. Como forma de agradecimento e superação pessoal, quebrou seu juramento de dor e talhou em mogno o mais perfeito exemplar de Santo Antônio de que foi capaz.
</p>
<p>
</p>
<p align="justify">Quase um mês havia se passado desde que Joana foi ao cemitério. Desde então não conseguia entender por que um estranho se empenharia tanto em fazer a manutenção do túmulo de sua mãe. Foi quando se lembrou da caixinha de couro onde a mãe guardava documentos e cartas que recebia de alguns parentes distantes. Abriu a caixinha com todo cuidado, sabia que a mãe não gostava que mexesse em suas coisas, as duas sempre respeitaram os segredos uma da outra, mas ela havia partido e Joana queria compreender um pouco mais de sua história. O que encontrou foi uma série de cartas escritas pela própria Inês, mas ao que tudo indicava, jamais haviam sido enviadas ao destinatário.
</p>
<p align="justify">Nas cartas, Inês pedia perdão à um tal de João de Santo Antônio, explicou que não pôde se casar porque havia sido violentada por Tenório e este prometera acabar com a vida de João se ela insistisse no casamento. Para proteger o amado noivo, partiu com Tenório para São Paulo.
</p>
<p align="justify">Mas assim que o dinheiro acabou Tenório foi atrás de seu pai, que por não aceitar sua união com Inês, se recusou a lhe dar abrigo. Sem dinheiro, mas acostumado com a boa vida, Tenório abandonou Inês e a deixou sozinha e grávida.
</p>
<p align="justify">Anos mais tarde, quando descobriu que estava com um tumor maligno, a procurou para conhecer a filha e legalizar a união dos dois, assim a pequena Joana poderia ter direito a herança de sua família. Por isso ela aceitou se chamar Maria Inês Bianco de Castro, mas repudiava Tenório, fazendo o esforço pelo futuro de Joana.
</p>
<p align="justify">Agora Joana entendia uma série de coisas, chorou copiosamente comovida com o sofrimento de sua mãe. O senhor que visita o seu túmulo regularmente não poderia ser outro além de João de Santo Antônio.
</p>
<p align="justify">Aguardou pacientemente o próximo dia treze e então foi novamente ao cemitério.
</p>
<p align="justify">Ficou à espera próxima ao túmulo de sua mãe. Horas se passaram, até que finalmente viu um senhor se aproximando. Joana teve vontade de chorar quando o viu rezando por sua mãe. Ele não trazia sinal algum de raiva ou descontentamento, apenas de pesar pela morte de Inês. Quando percebeu que ele havia terminado e se preparava para sair, se aproximou e lhe estendeu a caixa de couro da mãe. Ele a olhou confuso com aquela abordagem e ela emocionada lhe disse em um fio de voz:
</p>
<p align="justify">– Ela não se achou digna de lhe enviar essas cartas, mas se as escreveu é porque sentiu no fundo do coração que um dia o senhor deveria conhecer a verdade.
</p>
<p align="justify">Com as mãos trêmulas, João de Santo Antônio pegou a caixa das mãos de Joana e a reconheceu imediatamente, foi o primeiro presente que deu a Inês. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele se afastou sem nada dizer, caminhando lentamente por entre as lápides do cemitério.
</p>
<p>
</p>
<p align="justify">Após a leitura das cartas, sentiu uma brisa suave o envolver e então sussurrou:
</p>
<p align="justify">– Está perdoada minha querida Inês&#8230;
</p>
<p align="justify">E como prova do seu perdão, Santo Antônio regressou ao altar da igreja no lugarejo onde nasceu, novamente enchendo de esperança os corações dos que compreendem que tanto o amor quanto a dor podem transformar as pessoas, para melhor.</p>
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		<title>O CAMINHO DA FÊNIX  Luciana Muniz</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Aug 2007 04:10:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritores Inativos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao ver-se defronte da filha mais velha, lhe pedindo para auxiliá-la com um feitiço para recuperar o amor do ex-namorado, em uma fração de segundos se lembrou de antigas previsões que cercaram sua existência.
Naquela época achou tudo muito enigmático, mas com o passar dos anos e das experiências vividas, acabou entendendo o seu real significado.
Observou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Ao ver-se defronte da filha mais velha, lhe pedindo para auxiliá-la com um feitiço para recuperar o amor do ex-namorado, em uma fração de segundos se lembrou de antigas previsões que cercaram sua existência.<br />
Naquela época achou tudo muito enigmático, mas com o passar dos anos e das experiências vividas, acabou entendendo o seu real significado.<br />
Observou sua filha mais alguns instantes, se lembrando daquele final de tarde, onde não precisou escalar nenhuma montanha, tampouco ir até um bairro distante e quase inóspito para encontrá-la. Ela estava ali, sentada em sua frente e olhando fixamente para algumas cartas coloridas, dispostas na mesa impecavelmente branca. Era Olga, sua avó.<br />
?<br />
No breve momento em que Olga parecia hipnotizada pelas figuras das cartas, e que para ela pareceu uma eternidade, olhou ao seu redor. Reparou na janela aberta, com as finas cortinas a balançar melancolicamente e com o sol se pondo ao fundo, fazendo a sala adquirir tons alaranjados. Estava no décimo andar, de onde costumava visualizar a movimentação da Vila Mariana, bairro onde havia passado a maior parte de sua infância.<br />
O incenso de patchouli queimava ao lado da mesa, seguiu com o olhar o percurso da fumaça e sentiu o seu aroma, que tornava o confortável cômodo ainda mais místico. Estava até então enlevada pelas emanações do ambiente, quando a voz segura e um pouco rouca de Olga a trouxe de volta para a questão à qual buscava respostas:<br />
– É um homem que está tirando o seu sono, não é mesmo?<br />
– As cartas lhe disseram isso?<br />
A anciã à sua frente sorriu senhora de si, tinha a sagacidade traduzida em seu olhar. Mesmo os mais céticos, como era o caso de sua neta, sucumbiam à curiosidade de saber se eram amados. O amor ainda era o assunto recorrente em suas consultas.<br />
– As cartas apenas confirmaram a minha intuição, também sou mulher e sei reconhecer o olhar de uma pessoa apaixonada.<br />
– E ele? Está apaixonado por mim?<br />
– As cartas não me falaram sobre os sentimentos dele, mas preveniram quanto a estrada que percorrerá ao longo desta vida. Cheia de solidão, porém com profundos aprendizados.<br />
– Profundos aprendizados? Quem precisa aprender algo se passar a vida inteira sozinha? Por isso não acredito em nada do que me diz!<br />
– Acreditaria se eu a iludisse e lhe dissesse que ele está apaixonado? Veio em busca de respostas ou de alguém que lhe diga exatamente o que gostaria de ouvir?<br />
A jovem ficou muda, os grandes olhos azuis revelavam sua decepção com as palavras da avó. Porém Olga sabia que a neta ainda era muito jovem e que com o tempo entenderia o valor do seu caminho. Aconchegou novamente as cartas em suas mãos, se preparando para novamente embaralha-las quando ela sussurrou:<br />
– Então só há uma solução&#8230;<br />
Parou de embaralhar as cartas e fitou o rosto decidido à sua frente, por fim falou serenamente:<br />
– E qual é a sua solução?<br />
– Preciso que me ensine a fazer um feitiço! Assim ele ficará apaixonado.<br />
Olga olhou ternamente para a neta, há anos ela ouvia dos que procuravam o seu auxílio os mesmos pedidos, contudo era parte de sua missão desmistificar a idéia que a maioria das pessoas tinha sobre os feitiços, principalmente os amorosos:<br />
– Você é uma mulher atraente, não precisa fazer uso de feitiços para conquistar o homem que ama.<br />
– Mas disse nas entrelinhas que ele não está apaixonado!<br />
– Mas isso não quer dizer que não possa vir a se apaixonar por você! Se decidir percorrer o caminho mais fácil e realizar um feitiço para que ele se apaixone, estará se rebaixando!<br />
– Me rebaixando? Como assim?<br />
– Estará assinando o tratado de incapacidade de conquistar alguém, fazendo uso do poder do oculto. Não pense que este uso é gratuito, há um preço a se pagar e não estou me referindo ao dinheiro. Quero que entenda que feitiços realmente funcionam, porém você estará interferindo na vontade dele. Como conviverá consigo mesma sabendo que ele só está ao seu lado graças a um feitiço e não pela mulher que você é?<br />
Ela abaixou a cabeça envergonhada, realmente não tinha pensado nisso.<br />
– Há muitas coisas que você ainda aprenderá, pois nada é por acaso. E se o seu caminho é cheio de paixões tão fortes quanto fadadas ao fracasso, é porque os Deuses querem que você aprenda algo com tudo isso. E a solidão, que será tão presente em seu caminho, irá auxiliá-la a descobrir dentro de si mesma tudo o que precisa saber.<br />
– É inevitável que eu seja solitária?<br />
– Você será feliz, mas antes precisa aprender a sua forma de servir ao mundo, a sua missão.<br />
Olhou fundo em seus olhos e acrescentou:<br />
– Sua estrada será muito parecida com o caminho da fênix, jamais se esqueça disso.</p>
<p align="justify">?<br />
Alguns anos se passaram antes que ela pudesse entender o que Olga quis lhe dizer naquele final de tarde. Havia traçado sólidos objetivos para a sua vida e como sofreu profundas decepções na vida amorosa, acabou por colocar sua vida particular em segundo plano.<br />
Trabalhava intensamente, estudava além do necessário para atender as exigências do curso de letras, realizado na Universidade de São Paulo, e raramente se encontrava com os amigos. Tal comportamento lhe proporcionou momentos de solidão e reflexão, onde aprendeu a se conhecer internamente. Desenvolveu um espírito observador que pouco a pouco foi dando espaço a uma apurada sensibilidade. Passou a compreender melhor as pessoas ao seu redor à medida que compreendia mais sobre si mesma.<br />
Desta forma passou a encarar de forma diferente o final dos seus relacionamentos, vivendo intensamente os bons momentos com os que estiveram ao seu lado. Apaixonou-se por muitos, mas a chama se apagava tão logo o escolhido adormecia em sua cama. Por diversas vezes se julgou volúvel, incapaz de manter um relacionamento duradouro com alguém. Quando achava que seria para sempre, se via novamente perdida em seus caprichos.<br />
Certa vez estava no metrô observando as pessoas do vagão, todas absorvidas em seus mundos, como ela. Ainda analisava as pessoas ao redor, quando alguém lhe chamou a atenção. Era uma jovem, carregando uma pasta destas transparentes, onde o conteúdo fica a mostra. Percebeu uma figura na capa de um dos livros da garota, era uma ave em chamas, uma fênix&#8230;<br />
Imediatamente as palavras de Olga saltaram em sua mente: “Sua estrada será muito parecida com o caminho da fênix, jamais se esqueça disso”.<br />
Como uma inspiração divina se lembrou que o Centro Cultural era um ótimo lugar para se pesquisar sobre os mais diversos assuntos e impulsiva como era, não pensou duas vezes antes de decidir descer na estação Vergueiro.<br />
Chegando ao Centro Cultural, foi direto para uma das bibliotecas, onde pesquisou sobre o mito da fênix, a ave mitológica que se consome em chamas e que renasce das próprias cinzas em um ciclo eterno de nascimento, morte e renascimento.<br />
Em um primeiro momento não conseguiu estabelecer nenhuma ligação entre a vida que levava e a mitologia, era persistente em seus projetos de vida, mas sentia que não era bem aquilo que a tornava cúmplice da trajetória da ave mitológica.<br />
Decepcionada por não encontrar nas bibliotecas as respostas que buscava, voltou para casa. Mal colocou os pés na sala e viu sua mãe com os olhos vermelhos de tanto chorar:<br />
– Mãe! O que houve?<br />
– Sua avó faleceu&#8230; Estava te esperando para irmos para o cemitério, não consegui falar com você no celular.<br />
– Eu desliguei, estava na biblioteca.<br />
– Seu pai já está cuidando de tudo, mas precisamos ir agora.<br />
O resto da noite foi angustiante, era começo de inverno e um vento frio percorria os corredores do cemitério, onde o corpo de Olga estava sendo velado.<br />
Assim que a viu acomodada no caixão, sentiu uma profunda tristeza. Olga era mais do que sua avó, era uma mulher vivida e sábia, destas que infelizmente não há em abundância por aí.<br />
Após o enterro, todos estavam silenciosos e exaustos, e ela era uma das mais absortas em seus pensamentos. Chegou em casa e foi direto para o quarto, não queria falar com mais ninguém.<br />
Estava quase adormecida, quando subitamente sentiu uma presença ao lado de sua cama. Olhou assustada em volta temendo encontrar o espectro de Olga, mas nada viu, no entanto seus pensamentos sobre vida e morte fervilhavam. Sentiu-se desprotegida, agora que não teria mais os sábios conselhos de sua avó.<br />
Deste momento em diante percebeu que estava ainda mais sensível, podendo perceber nitidamente as emanações dos ambientes que freqüentava. Tinha sonhos premonitórios e uma intensa necessidade de entender os mistérios do universo. Passou a estudar as ciências ocultas e com o tempo se tornou uma sacerdotisa, como a avó.<br />
A partir de então entendeu suas necessidades como mulher, saberia reconhecer imediatamente o olhar daquele que seria o seu consorte e então aguardou a sua chegada.<br />
Quando ele enfim apareceu em seu caminho colorindo os seus dias, se casou e lhe deu duas filhas, uma delas agora sentada à sua frente com as mesmas dúvidas que ela um dia teve.<br />
Foi ela quem fez com que tivesse um déjà vu, recordando a tarde em que recebeu conselhos de uma avó que sabia enxergar além. Tão além que previu que em algum momento ela entenderia que o conhecimento não deve morrer com quem o possuir, deve ser passado adiante, mas de forma sábia, plantado como uma semente. Olga sabiamente plantou magia em seu coração, a fazendo perceber que a cada acontecimento importante de sua vida, ela se renovava, passando a também enxergar mais além.<br />
E agora havia chegado a sua vez de seguir o caminho da fênix e plantar uma semente, cujo objetivo era renascer na alma daquela que precisava entender que sentimentos nascem e morrem todos os dias, alguns se acabando para sempre, outros apenas renascendo ainda mais fortes!
</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
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		<title>Escritores</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Feb 2007 21:54:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritores]]></category>

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		<description><![CDATA[Veja quem são os autores participantes do site Novas Visões:
DIA 1
Keissy Carvelli
Uma metade do que escreve é dela, a outra também, mas esconde, entre metáforas e canções, aquilo que prefere apenas sugerir. Das hipérboles utiliza sem restrição, extremos, vazios, inteiros; versos, trechos, sinestesias; prosas, pontos, e tudo o que possa sentir é motivo o suficiente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Veja quem são os autores participantes do <em>site</em> <strong>Novas Visões</strong>:</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>DIA 1</strong></span></p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Keissy Carvelli</span></strong></p>
<p align="justify">Uma metade do que escreve é dela, a outra também, mas esconde, entre metáforas e canções, aquilo que prefere apenas sugerir. Das hipérboles utiliza sem restrição, extremos, vazios, inteiros; versos, trechos, sinestesias; prosas, pontos, e tudo o que possa sentir é motivo o suficiente para jogar por aí, em palavras soltas e contradição.</p>
<p align="justify">Se auto-define como piegas, ridícula e clichê, mas gosta de ser assim. Coisa de poeta, idiota, vai saber.</p>
<p align="justify">Jornalismo por opção, literatura por precisão, dessas que brotam nos olhos e escorrem pelos dedos sem que haja qualquer controle. Mantém um violão, um blog, e um caderno cheio dessas músicas feitas pelas madrugadas e solidão.</p>
<p align="justify">Sente, deveras, e só</p>
<p align="right"><span style="color: #800000;"><strong>DIA 3</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color: #800000;"><strong>Fernando de Freitas Leitão Torres<br />
<span style="color: #000000; font-weight: normal;">[f e r n a n d o . t o r r e s @ n o v a s v i s o e s . c o m]</span></strong></span>
</p>
<p align="justify">Tem orgulho do seu nome de muitas letras e de ser advogado. Do mais, gosta de escrever com lirismo e suavidade para falar daquilo que é duro ou violento. Acredita também que a melhor forma de abordar um assunto pode ser não falando dele, se em tudo contem seu oposto, é neste que ele se foca. Escreveu um roteiro que espera ser filmado em breve, uma peça de teatro pela metade, cerca de cem contos destruídos pelo fogo, pela formatação deliberada de seu computador ou que estão despedaçados em decomposição em um aterro sanitário por aí. Um conto sobrevivente foi publicado no livro Visões de São Paulo (sob o título de <em>Os Vermelhos</em>). Nasceu no vigésimo primeiro aniversário da primeira viagem espacial feita pelo homem.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">DIA 5 </span></strong></p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">Thiago Foresti</span></strong><br />
[t h f o r e s t i @ g m a i l . c o m]
</p>
<p align="justify">Thiago Foresti nasceu em Porto Alegre, mas mudou para Manaus com alguns dias de vida. Saiu da floresta direto para o interior paulista, morou em Jundiaí, mas fez faculdade de jornalismo em São Paulo. Já morou em Diamantino, Cuiabá, Queenstown, Auckland, Christchurch, conhece bem o Nordeste e talvez vá para Santa Catarina um dia, só não sabe quando. Não tem lá formação acadêmica muito sólida, a vida até lhe ensinou algumas coisas, mas sempre se da mal nos testes reais. Otimista por falta de opção, escreve aqui todo dia 5.</p>
<p align="justify"><strong><br />
</strong>
</p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">DIA 7</span></strong></p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">André Chalom</span></strong><br />
[a n d r e c h a l o m @ g m a i l . c o m]
</p>
<p align="justify">O Chalom escreve contos e poesias desde que se conhece por gente &#8211; talvez um pouco antes. Nas horas vagas, estuda Ciências Moleculares na USP e trabalha com abordagens matemáticas para sistemas biológicos. Acredita (e pratica fielmente) que boa ciência e boa literatura se discutem na mesa de bar &#8211; claro que depois exigem muitas horas de trabalho.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">DIA 9</span></strong></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Sérgio Franck</strong></span><br />
[s e r . s @ i g . c o m . b r]</p>
<p align="justify">Sérgio Franck, morador do Aglomerado da Serra, na periferia de Belo Horizonte. Escreve há aproximadamente cinco anos. Quando a ociosidade da aposentadoria precoce chegou, ele mirou os céus e se perguntou: E agora, o que fazer? Autodidata, ele fez um curso de designer gráfico e acaba enxergando histórias além das imagens que a inspiração oferta. O nome Franck é pseudônimo, o que advém do apelido que o acompanha desde a adolescência. Franck arrisca as letras em contos e crônicas sobre a vida, o cotidiano, lugares onde esteve dentre outros onde, talvez, ele nunca estará.</p>
<p>Blog: <a href="http://sergiofranck.blogspot.com">sergiofranck.blogspot.com </a></p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">DIA 11</span></strong></p>
<p align="right"><span style="color: #800000;"><strong>Fábio T. Torres</strong></span><br />
[a r q u i t e t u r a 2 0 0 0 @ y a h o o . c o m]
</p>
<p align="justify">Arquiteto formado em 1998 pela unip, 31 anos. divide seu tempo entre a escrita e a arquitetura. Escreve frequentemente em seu <a href="http://www.fabiotorresescreve.zip.net" target="_blank">site pessoal</a> e lançou o livro &#8220;Crônicas Atemporâneas&#8221; em 2006, pela editora zouk. Participou tb do livro Visões de São paulo, lançado em 2006.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">DIA 13 </span></strong></p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">André Moncaio<br />
<span style="color: #000000; font-weight: normal;">[a m o n c a i o @ y a h o o . c o m]</span></span></strong>
</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;"><span style="color: #000000; font-weight: normal;"> André Moncaio é videomaker, diretor de cena, diretor de fotografia, light designer e educador formado em Rádio e TV pela USP em 2002. Como integrante do Grupo Estudeo Mito realizou diversos trabalhos em videoarte e vídeo experimental, tais como: &#8220;O Ventre da Baleia&#8221; (2002); &#8220;Oshoecha&#8221; (2004) e &#8220;Piscinema&#8221; (2007). Em 2006, quando viveu em Buenos Aires, Argentina, realizou o curta-metragem &#8220;Siempre hubo un nunca&#8221; (finalizado em 2007) e a videoarte &#8220;El imposible es un velo&#8221;, além do desenho de iluminação dos espetáculos &#8220;Querés?&#8221; e &#8220;Desde la lona&#8221;. Dirigiu os documentários: &#8220;Do olhar para o olhar&#8221; (2002), &#8220;Testemunhas da história &#8211; Construindo a democracia no Brasil&#8221; (2007), &#8220;Miopia&#8221; (2007) e &#8220;Memória Minha do Divino&#8221; (em produção). Desde 2003 ministra cursos e workshops em escolas e espaços culturais, tendo lecionado na Escola São Paulo, na Academia Internacional de Cinema de São Paulo, no Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, na Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André e no SESC Santo André, entre outras. Trabalha como freelancer em diversas produtoras de cinema e vídeo, entre elas: Mixer, Mutante Filmes, Maria Bonita Filmes e Photofonia Produções, além de coordenar a realização do documentário &#8220;Don&#8217;t drink this water&#8221; para o projeto internacional &#8220;Beyond Green&#8221; da ONG norte-americana Listen Up! sediada em Nova York. Recentemente rodou o curta-metragem &#8220;Elipse&#8221; com Paula Picarelli e Kiko Bertholini, atualmente em fase de finalização.</span></span></strong></p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">DIA 15</span></strong></p>
<p align="right"><span style="color: #800000;"><strong>Rei I.<br />
</strong></span><span style="color: #00f000;"> </span> [r e i s u j o @ y m a i l . c o m]
</p>
<p align="justify">Rei I. de imundo, portanto sujo! Outrora Reinaldo de Souza.  Por enquanto blogueiro. Contista por acidente. Nesse instante toca o projeto <a href="http://casadosfundos.wordpress.com/">casadosfundos</a> onde posta todos seus possíveis trabalhos. Residente no cerrado goiano, engavetou novamente todos seus projetos e permanece a espera de sabe-se lá o quê. [ reisujo@hotmail.com | casadosfundos@gmail.com ]</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">DIA 17</span></strong></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Jean Canesqui</strong></span><br />
[j e a n c a n e s q u i @ y a h o o . c o m . b r]</p>
<p align="justify">Formado na ECA–USP em Rádio e TV, especializado em roteiro. Editou as Revistas Kaos! e Front. Meteu-se em encrenca com quase todas as mídias. Já trabalhou num matadouro a procura de vermes em carcaças bovinas. Hedonista &amp; Fetichista praticante. Ateu nos dias úteis e satanista de final de semana. Livre pensador à esquerda da merda total. Atualmente seu corpo apodrece, enquanto sua mente prevalece e nos ameaça.</p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">DIA 19 </span></strong></p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">Maria Isabel Brisolara<br />
 </span></strong>[b r i z z i s a b e l i t a @ y a h o o . f r]
</p>
<p align="justify">Isabel, como prefere ser chamada, escreve desde pequena. Uma daquelas histórias bobas em que uma mãe ao invés de dar presentes a filha resolve repassar velharias e foi daquela enferrujada máquina de escrever que saíram as primeiras historinhas. Agora, aos 21 anos, faz Letras Português na Universidade Federal de Santa Catarina, reside em Florianópolis, apesar de que preferiria passar só as férias em sua cidade, já que na maior parte do ano poucas são as coisas que acontecem em uma capital periférica.</p>
<p align="right"><strong><br />
</strong>
</p>
<p align="left"><strong><span style="color: #800000;">DIA 21</span></strong></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Roberta Domingues</strong></span><br />
[b o l o t a . d m @ i g . c o m . b r]
</p>
<p align="justify">Paulistana da Freguesia do Ó, nascida na década perdida de 80 vive a <em>solitude e decadence</em> da forma mais criativa possível. Adora artes em geral, tem preferência por literatura, música e teatro. É assistente do Dr. Victor Frankenstein e com ele aprendeu a fazer montagens, recortes e colagens de todas as espécies, transformando tudo o que já foi feito em um novo caldeirão de especiarias. O gosto é peculiar.</p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">DIA 23</span></strong></p>
<p align="right"><span style="color: #800000;"><strong>Gustavo Amaral</strong></span><br />
[g u s t a v o a m a r a l 0 7 @ g m a i l . c o m]
</p>
<p align="justify">Morador da Moóca com orgulho, é estudante de Letras na Universidade de São Paulo, onde cursa Francês. Sem tempo, sem espaço, sem&#8230; bom vamos parar por aí, faz esforço para entregar seu texto a tempo mas depois pega uma cerveja. Gosta de novela, mas só assiste a primeira e última semana.</p>
<p align="left"><strong><span style="color: #800000;">DIA 25</span></strong></p>
<p align="left"><strong><span style="color: #800000;">Flávia Brito</span></strong> <br />
[f l a v i a d a b @ h o t m a i l . c o m]
</p>
<p align="justify">Nasceu em Belém, Pará, no dia 6 de julho de 1978. Graduada em Medicina, exerce a profissão na capital paraense, mas já quis ser publicitária, jornalista, cientista, oceanógrafa, astronauta, hippie, rockstar, veterinária, jogadora de futebol, bailarina clássica e artista mambembe. Lê compulsivamente, exceto livros de auto-ajuda – abominados com pleno usufruto do seu direito de abominar alguma coisa. Embora não tenha formação literária acadêmica, escreve obsessivamente, por puro prazer – sua escrita intimista e quase experimental privilegia a sonoridade das palavras e as sensações que estas provocam. Blogueira desde meados de 2007, desde janeiro de 2008 assina o blog <a href="http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com" target="_blank">Sabe de uma Coisa?</a>, onde publica contos, crônicas, poesia e afins.</p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">DIA 27</span></strong></p>
<p align="right"><strong><span style="color: #800000;">Gabriela Souza Gomes<br />
</span></strong>[g a b r i e l a s g o m e s @ g m a i l . c o m]
</p>
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">DIA 29</span></strong></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Canto do Exilado</strong></span></p>
<p align="left">Um espaço para escritores convidados.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>JÁ PASSARAM PELO SITE:</strong></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>William Goldoni</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Patrícia Soares</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Cristina Lasaitis</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Luciana Muniz</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #800000;"><strong>Mauro Caramico </strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #800000;"><strong>Maurício Mikola</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #800000;"><strong>Camila Fernandes</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #800000;"><strong>Denise Martins Guimarães</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Fernando Alonso</strong></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Doris Fleury</strong></span></p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">Emília Ract</span></strong></p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">Daiane S. Nascimento</span></strong></p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">Richard Diegues</span></strong></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>Gianpaolo Celli</strong></span></p>
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