RELICÁRIO
Yule Barbosa
óleo s/ tela
óleo s/ tela
A partir desse mês mudo radicalmente minha forma de expressão nesse site, passando de cronista a artista plástico.
A mudança é fiel ao momento pelo qual estou passando, onde estou encontrando na arte gráfica um caminho mais interessante para o meu desenvolvimento como artista.
É perigoso, tortuoso e por vezes doloroso mesmo. Mas eu sei que é [...]
E por onde meus irmãos possam ter andado
E tantos outros seguido.
E que bandeira agora hasteia nessa terra de poucos, fome de muitos?
E onde vive agora, sobre as lágrimas e sangue e esquecimento?
Sob esse sol
Sobre essa terra
A vida ainda arde em chamas
E procura a redenção de um passado.
Se é destino esse velho do mato viver assim
Das coisas da terra que morrem e nascem
Se em se plantando tudo dá
Se vale essa vida um buraco nem raso, nem fundo
Dos céus repletos de concreto e metal
Se não se pode plantar
Colher
Comer
Será que essa terra sem fim
Esse chão de pedra
Será que é dele?
Será que é nossa?
Desses calos [...]
Outrora, poeta se cansou
As belezas de vinheta
Corpos de proveta
Nada disso mais queria
Hoje ainda, não sou poeta, mas me canso
Pernas dançam freneticamente
No pulsar de buzinas, prensas, metais
Apavoram dolorosamente a memória dilacerada
Mas o coração…
Ah, o coração!
Esse ainda sustenta o ideal
(Fernanda Fiamoncini)
Olha o fantasma com tal leveza congelante para a avenida.
Ele toca a cidade com as mãos aconchegantes de vidro.
O frio percorre a espinha até a mente.
Até os olhos.
Até a superfície.
Mundo congelou-se.
Espectro.