Sobrevivência da arte e do livro
Publicado Originalmente no Blog Arlequinal, em 04/12/09
“Por princípio a obra de arte sempre foi reprodutível. O que os homens tinham feito sempre pôde ser imitado por homens. Tal imitação foi também exercitada por alunos para praticarem a arte, por mestres para divulgação das obras e, finalmente, por terceiros ávidos de lucro. Em
contraposição a isto, a reprodução técnica da obra de arte é algo de novo que se vai impondo, intermitentemente na história, em fases muito distanciadas umas das outras, mas com crescente intensidade.”
- W. Benjamin in: “A Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica”
Desde o advento da fotografia (que culminaria no cinematógrafo), as artes plásticas foram condenadas à morte para poder, enquanto Fênix, renascer sob uma nova roupagem. As artes plásticas e o teatro foram questionados e hoje sobrevivem em forma de arte. O cinema, inclusive questionou, ainda que só arranhasse a superfície, a literatura. Porém, em nenhum momento o formato livro foi questionado até agora.
Devemos distinguir que literatura e livro são soisas bastante diferentes. A literatura são as idéias, o subjetivo, o conteúdo que o livro carrega, existia antes do livro e existirá se esse se for. Já o livro é um formato. Nossa concepção de livro é marcado pelo invento de Guttenberg e seus avanços tecnológicos (viva o off-set). Objeto de Fetiche e Status, dificilmente o livro deixará de ocupar um local de destaque em nossa sociedade, porém, assim como outros formatos, terá de se adaptar para sobreviver.
Adorno abre suas “Notas sobre a Litetatura” (Ed. 34), dizendo que é necessário elevar o ensaio à arte. Sem dúvida o destino do livro é ser elevado à arte. Pouco à pouco vejo edições mais elaboradas sendo produzidas. Não falo em edições de luxo (que também continuarão a ser produzidas), mas edições que o ato de editar e produzir um livro são elevados à arte. Nesse sentido, a editora Cosac Naify tem explorado esse caminho com foice na mãe e abrindo uma trinha interessante para quem estiver disposto à segui-la. Dois exemplos claros são “Bartleby, O Escrivão” (Melville) e “Flores” (Mário Bellatin). No primeiro, as páginas devem ser cortadas para que o livro seja lido, o movimento que o leitor é obrigaod a fazer é diametralmente oposto ao do protagonista. No derradeiro, o livro é comercializado sem capa e dentro de um saco plástico, na obra fragmentar (entre o romance e o conto). A Obra trata-se de incompletude, e sua própria edição é incompleta.
Obviamente, outras editoras estão pouco à pouco seguindo esse caminho. Em Desacordo Ortográfico (Não Editora), emum um dos contos existe uma série de imagens no canto das páginas que se folheadas rapidamente formam um “filminho”. Ainda, Antônio Xerxenesky, Em “Areia nos Dentes” (Não Editora), experimenta com caractéres, e formatações diferentes. Os Livros do poeta Manoel de Barros vêm em folhas soltas dentro de uma caixa. Samir Mesquita inovou de tal maneira em seu livro de microcontos “18:30? que nem ISBN ele conseguiu (isso espero que mude). A arte de editar um livro, que até pouco tempo era considerado apenas técnica, está se desenvolvendo por um único motivo, a existência do livro está ameaçada. A brochura de textos impressos receberá o golpe, e o livro se elevará à arte.

Oi Fernando……
Eu participava do novas visões e trabalho com o grupo Glacê
Coloquei um link do seu site no meu olha lá depois
http://www.wix.com/julianaaraujo/JULIANA-ARAUJO
bjus