Reforma Ortográfica
Alguém, não lembro quem, se referiu (não acidentalmente) à Reforma Ortográfica como Ortopédica. Explico. O esforço que alguém acostumado a escrever deve fazer para se adaptar à reforma ortográfica, é a mesma que temos que fazer quando precisamos reestruturar nosso corpo a uma nova necessidade. Quem escreve agora é um acidentado reaprendendo a andar.
Na Folha de S. Paulo foi publicada uma reportagem que consistia em entrevista com escritores. Rubens Alves foi categórico: vai continuar escrevendo do mesmo jeito e que gramáticos não deveriam fazer alterações na língua. Ondjaki disse praticamente o mesmo.
Concordo com eles. Sou partidário de Rubens Alves na questão “estórica” (a saber “história” e “estória” são coisas muito diversas, e a exclusão da segunda foi um crime), até por respeito a Guimarães Rosa.
Acho também que o argumento da grafia única é fraco. O Inglês e o Espanhol não têm grafia única. Por sinal grafo, por pura pretensão, a palavra “Theatre” com esse “r” no meio.
E existe uns que reclamaram que todos os livros de suas bibliotecas são agora obsoletos. Loucos. Eu tenho edições belíssimas do Graciliano Ramos e de Mário de Andrade anteriores às reformas ortográficas anteriores. Que prazer ler esses documentos históricos de nossa língua. Vamos continuar entendendo os livros grafados com a ortografia de até 2008, como entendiamos sem dificuldades a grafia (deixo bem claro isso) de Saramago. Mas afinal o que é importante? O conteúdo ou a grafia?
A nova ortografia é como as novas escolas públicas que são construidas sistematicamente pelos governantes. São gastos injustificados na forma, que deixam de lado o conteúdo. Onde está o investimento nos professores? Bem, não vou entrar nesse assunto.
Não serei um opositor da nova ortografia. Por sinal nunca usei a trema. Mas também não levanto essa bandeira. É inútil pois a língua é viva, formada nas ruas, nas casas, no seu uso e desuso, e, impreterivelmente, pelos escritores.
Escreva, com ou sem trema, suas estórias e histórias e seja feliz.

lembrei de Chico Science na introdução do seu primeiro disco:
“cadê as notas que estavam aqui? Não preciso delas, basta deixar tudo soando bem aos ouvidos!”
quem sabe seja, nesse momento, uma boa…. rsrsrsrsrsrsrs
Talvez por ter estudado em uma escola denominada Anhangüera, o trema foi sempre parte de minha vida, desde a infância. Quanto aos acentos, como escrevi no outro post, A reforma ortográfica do sarnento, praticamente todas as línguas que usam o alfabeto latino usam sinais para complementar as letras. Mesmo o inglês, quando as importa, mantém o acento de fiancé, o cedilha de façade, (se bem escritos). Ou então partimos para os ideogramas, que nada têm em comum com a pronúncia. Ideogramas e alfabetos são conceitos diversos de registrar as idéias. A taquigrafia/ estenografia com que se brinca na internet é ótima para escrever, mas difícil para a leitura. Isso já sabiam as tias-avós, quando secretariavam no início do século passado.
Tinha esquecido de colocar o link do comentário sobre a reforma ortográfica do sarnento
http://boppe.wordpress.com/wp-admin/post.php?action=edit&post=565
abr