Mais sobre gramática…

Thursday, January 22, 2009
By Fernando de Freitas Leitão Torres

É difícil a gente se entender a respeito de certos assuntos, principalmente porque muito raro os discutidores se colocam ba mesma ordem de argumentação. O assunto Ortografia é desses. Se cruzam inicuamente argumentos de ordem filosófica, de ordem propriamente filológica e de ordem sentimental.” – Mário de Andrade: TAXI: ORTOGRAFIA – I – Diário Nacional, Sábado, 18 de Janeiro de 1930.

Estou relendo alguns textos de Mário de Andrade, preparados ao tempo da reforma ortográfica de 1929. Interessante como os temas permanecem os mesmos depois de exatos 79 anos.

Leitura obrigatória: Taxi e Crônicas no Diário Nacional, de Mário de Andrade. Editora Duas Cidades, 1976.

8 Responses to “Mais sobre gramática…”

  1. Muito bem lembrado! Gostei do blog, vou colocar nos meus links.

    #78
  2. Os textos do Mário de Andrade estão entre os que sempre releio, juntamente com os do Jorge Amado, os do Graciliano Ramos e os do Guimarães Rosa. Coisa de gênio isso de alcançar a atemporalidade.

    Um beijo.

    #79
  3. Flávia, O Mário é a primeira referência que devemos buscar em qualquer assunto relacionado à cultura brasileira.

    #80
  4. Túlio

    Jorge Amado era no máximo um ESCRITOR PARA ENTRETENIMENTO. Bastou ele ser expulso, porque o PCB fora posto na ilegalidade, que começou a ter suas obras traduzidas no mundo inteiro, por isso que ele conseguia viver de direitos autorais. Não dá para ser comparado com Mário de Andrade, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

    #81
  5. Túlio,
    Não fui eu quem levantou a bola, mas vou comprar a briga. Jorge Amado é um dos escritores fundamentais da literatura brasileira. Em sua obra, longa, existem livros das mais diversas qualidades, porém nenhum deles é puramente ruim. Existe si um preconceito acadêmico contra sua obra, exatamente por se afastar da prosa de Graciliano e de Guimarães. Em questão de prosa considero ele um escritor muito superior à Mário de Andrade, que à exceção de Macunaíma, jamais escreveu um romance digno.

    Que tal você fazer um teste? Leia qualquer livro do Jorge Amado (embora eu recomende especialmente Tocaia Grande) e o “Diário de um Mago” de Paulo Coelho. Você verá a diferença de entretenimento para literatura.

    #82
  6. Ellen

    Acho que esse famigerado preconceito academico em relacao à obra de Jorge Amado pode estar com os dias contados, pois um de seus títulos (“Capitaes de Areia”) foi escolhido para a lista da FUDEST/Unicamp para os próximos 3 anos… aham!
    E, inclusive, aqui na Deutschlandia, Paulo Coelho é considerado como entretenimento.

    #83
  7. Túlio

    Os livros de Paulo Coelho também não são “puramente”ruins. São livros de entretenimento, como os do marido de Zelia Gattai. Quando li O “Diário de um mago”, há uns 15 anos, também cheguei a me iludir com o truque do autor. Agora desde quando um livro fazer parte de vestibulares é algo além da mercadologia das editoras?

    #86
  8. Túlio, você está trocando alhos com bugalhos (ou como diria meu pai: não confunda a grande obra do mestre Picasso). Ou você confundiu meus argumentos de propósito para provar seu ponto. Eu jamais disse que os livros de PC são puramente ruins, até por que lí parte do “Diário…” apenas por curiosidade. Minha resposta tem duas partes independentes, a que afirmo que os livros de Jorge Amado são melhores do que geralmente atribuímos a eles, por preconceito estético derivado de uma posição acadêmica.

    A segunda parte, inclusive em outro parágrafo eu afirmo que os livros de Jorge Amado não são mero entretenimento, e uso como base de comparação o livro de Paulo Coelho. Repito, em nenhum momento minha resposta afirmou que uma obra de entretenimento é puramente ruim, seria tacanho da minha parte afirmar isso. Mas quem sabe você pense assim? Ou quem sabe tenha lido Shoppenhauer e acredite que ninguem mais leu. Enfim seja mais cuidadoso com suas respostas, pode parecer que você não entendeu o que foi escrito.

    Por fim, ninguem aqui disse que fazer parte das listas de vestibulares é atestado de qualidade, mas sim que isso representa um sinal que o preconceito acadêmico quanto à obra do autor está acabando. Se fosse mero interesse mercadológico das editoras malvadas a lista seria absolutamente diferente.

    #87

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