Antônio de Beatriz Bracher

Tuesday, December 16, 2008
By Fernando de Freitas Leitão Torres

3214359Cristovão Tezza foi aclamado e uma injustiça foi feita. Em qualquer outro ano, qualquer um que seja, o Livro “Antônio” de Beatriz Bracher, seria o papão de prêmios. Se não ganhasse um dos muitos prêmios literários, um colunista aqui e outro ali escreveriam artigos com numero limitado de caracteres para a Folha de S. Paulo ou para o Estado de S. Paulo para lamentar a injustiça. Blogs afora teriam denunciado esquemas entre as editoras grandes para impedir que um livro de uma editora pequena (não dá para dizer que a 34 é grande) ganhasse todos os prêmios. O Fato é eue “Antônio” é o melhor livro escrito nos últimos anos depois de “Filho Eterno”.

“Antônio” guarda uma semelhaça estrutura com “Relato de um certo Oriente” de Milton Hatoum. Muito embora eu acredite que seja mais bem sucedido que o livro de 1989.  Um dos temas princpais do livro é a ausência, por começar pelo título, Antônio é o filho de Benjamin, que está por vir, Benjamin é um personagem sem voz, a ele é dirigido os relatos que compõe o livro. A ausência ainda é mais forte pois os relatos contam histórias sobre o pai, a mãe e o avô de Benjamin, que estão todos mortos. O retrato da Família é marcada pela ausência, quase não sabemos dos personagens que relatam as histórias e de seus figurantes.

O livro tem a qualidade de explorar, sempre na ausência, a história de toda uma família e suas questões. No momento em que o livro é narrado, os segredos já não têm mais importância, ou se têm, parecem estar ser considerados inofensivos. Mas é angustiante presenciar cada uma daquelas histórias, reveladas aos poucos e complementarmente, sobre uma sociedade decadente e humanizada.

O livro soa como se todos nós estivessemos alí, e a histórias só ressaltassem nossa impotência, como a de Benjamin, de receber, sem vóz e permanentemente ausente a loucura, os enganos, os preconceitos e tudo mais que está marcado.

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