Algumas Preferências
Meus parcos leitores desse blog já devem ter percebido que tenho certas preferências. Tenho como referências autores diversos, um pouco fora de um canône estabelecido pelas escolas francesas e inglesas.
Sou especialmente afeito à leitura da literatura nacional produzida de um século para cá (com honrosas exceções a alguns autores realistas como Machado), literatura hipano-americana e italiana. Na realidade eu acredito que existe uma aproximação de identidade entre os autores essencialmente latinos (principalmente os ibéricos e italianos), e um distanciamento, em muitos aspectos, da produção artística dos padrões academicistas universitários.
Dessa forma, não é raro por aqui, nem nunca será, a referência de Elio Vittorini, Italo Calvino, Svevo, Ungaretti, Pirandelo (do lado da Itália) e Quim Monzò, Daniel Alarcon, Gabriel Marcia Marques, entre outros que fazem parte desse universo em que nos refletimos e deformamos.
Ainda, tenho uma fixação com os realistas russos, Tchechov e Tolstoi não marcos fundamentais para a literatura moderna, dois autores, que como Machado, foram gênios na que marcaram presença na periferia do capitalismo (que me pedoe Roberto Schuwarz pela citação acidental).
De forma alguma isso tudo caracteriza um preconceito com o canône tradicional que tem eixos profundos na Inglaterra, França e Alemanha, países cuja elite intelectual dita os padrões ciêntificos das áreas humanas, mas uma preferência e de certo uma provocação.
A citação de autores que fazem parte de algum “clube”, ou seja, de escolas literárias que estiveram e estão ainda em evidência, beira à piada interna. Se tornou quase tão vazio como a citação de uma letra de um auutor de música pop.
A referência perdeu sua sutileza. Me parece que elas servem mais para segregar do que para unir. A boa referência, na literatura, não é aquela que remete diretamente a um texto conhecido por todos. Na realidade essa é a má referência, pois é Clichê. Na realidade a boa referência é aquela que permeia, que quando a encontramos (no sentido do referenciado ao referente ou o contrario) ela nos estimula a estabelecer paralelos profondos de sentido. Complementamos um texto com o outro, realizamos o distanciamento parafrástico de um autoa a outro, a identidade perfeita de recontar estórias.
Prefira, reconte, trace paralemos, e mais importante: Seja Feliz, pois o importante é a vida, e ela é um sopro.

Complicado fugir do cânone, ele está aí para abocanhar todo mundo, e ai de quem não seguí-lo. Mas acho interessante conseguir manter-se ligado àquilo que está do lado de fora. É como vender arte, você faz do seu jeito, e do jeito deles. Acaba sendo uma traca rica.
O ruim é que as coisas do lado de fora acabam sendo jogadas no porão. E os paralelos acabam sendo esvaziados pra criar esse clube de citações… Ai ai ai…
Sartre em O existencialismo é um humanismo cita o caso de um aluno que estava em dúvida sobre qual decisão tomar: ficar com sua mãe necessitada de cuidado ou ir à guerra. Ele diz que o rapaz foi até ele perguntar o que Sartre pensava do caso. Então ele conclui dizendo que o rapaz o procurou intimamente já sabendo qual seria sua resposta, e que por isso mesmo o procurou. Isso deve funcionar em todas nossas escolhas, principalmente em literatura, quando vamos conhecendo sua história e seus personagens!
escolhemos o tempo todo, e creio que a coisa fica quase que natural e não meditamos no ato em si…
chega de filosofismos… rererererererere
fora Papini, Calvino e Pirandello, italianos que adoro muito, concordo com as diretrizes do blog!!!! rererererererere (sem falar que os russos são meus alicerces)
Obrigado Rei! O que posso falar? sua reflexão ensina muito mais que a minha.
acho que foi teu texto que me fez lembrar/meditar tais coisas!!!
portanto, ele tem seu valor/importância intríseco/a!!!
textos sobre literatura só são válidos quando nos fazem, quase que fora dela, pensar sobre ela!!! somos como o amante que se distancia da amada para pensar ou vê-la à distância… talvez para amá-la com mais intensidade! (os amantes e suas estranhesas)
teus textos alcançam isso! (e fora que você é um ficcionista/literato, quer dizer, sabe do que tá falando)
e vamo que vamo!!!!
abraço e ótimas festas para todos nós!
Excelente! É digno da frase “o que eu queria dizer mas não sabia como”. Ressalvadas as preferências, a parte das citações funciona exatamente assim: a literatura como elevação perdeu sua popularidade; agora está em voga o simplista “pop”, o que não é pop parece não fazer parte de ninguém.
Antes de tudo, obrigado pelo elogio. Mas Antoine, eu não acredito na literatura ou qualquer arte como elevação do espirito, mas como manifestação natural do existe de subjetivo no ser humano. Na realidade é a objetivação de nossas angustias comuns. Abraços, Fernando.
Fernando,
É, realmente, a nossa subjetividade objetivada. E, se isso não for a maior beleza mundana a que possamos ser submetidos, dispenso o que mais possa ser.