O lugar da literatura
A polêmica é velha, mas recentemente vejo que uma leva de escritores vêm falando a mesma coisa. O Disurso está ensaiado a partir da declaração bombástica de Marçal Aquino que o Brasil tem 3.000 Leitores (leia um pouco aqui).
Vamos começar chamando o Marçal Aquino de um idiota em estatística. E duvido que o escritor me conteste. A lógica simplista que os livros têm tiragem inicial de 3.000 cópias, que raramente esgotam, demonstraria que temos apenas esse numeral de escritor é tacanha, para não me aperfeiçoar demais nos adjetivos chulos.
Ora, caro Marçal, conheço muitos leitores voazes, como eu, que jamais se interessaram por seu trabalho. Aliás, se esses teus leitores limitados lerem 50 livros por ano (média de um por semana), eles lerão 150.000 cópias de livros. Quatos livros foram vendidos pelas grandes livrarias ano passado? E pelas grandes Editoras?
Definitivamente, o Brasil não é um país de Leitores. Sim, o livro é artigo caro e ainda existe gente que morre de fome dentro de nosso território. Aliás, temos problemas muito maiores que a falta de leitores. Provavelmente nosso as limitações do nosso mercado editorial seja apenas um indício de uma educação destuída pelo regime militar totalitário que vigorou do vergonhoso golpe de 1º de Abril de 1964 à promulgação da Constituição Federal em outubro de 1988.
Escrever, meus caros, é guerrílha, protesto, resistência ao descaso da sociedade com os problemas sociais. Escrever é ter esperança que o povo apreciará do biscoito fino que fabricamos (parafraseando o Grande Oswald).
Desculpem-me os reclamões, mas quantos escritores dão aulas de alfabetização ou capacitação de jovens e adultos sem acesso educação? As pessoas não leêm por que não sabem ler, não compram livros pois não lhes faz sentido aquele amontoado de idéias. Não saber ler significa a incapacidade de abstração da linguagem, de entender metáforas e outrass figuras de linguagem. Não basta conhecerem as palavras.
Minha sensação é que o País da inclusão digital tem milhões de usuários que navegam pela internet da mesma maneira que Felipe (filho do narrador/escritor Cristovão Tezza, em “Filho Eterno”). Na realidade eu não preciso nem mesmo imaginar, os relatórios dos serviços de Busca que encontram meu site já me mostraram isso. A imensa maioria das buscas revelam paravras grafadas com erros grosseiros de português ou de estrangeirismos comuns (“fotos da preiboi” era uma busca comum).
Me desculpem, senhores escritores, embora o Senhor Marçal Aquino esteja errado, ele não está longe de estar certo. Nosso mercado comprador vão deve atingir mais de 1%, quiça 2%, de nossa população. E se queremos mudar isso, não devemos esperar das autoridadedes públicas, da mídia (este Leviatã, que eu nem mesmo sei mais o que é), ou da volta de D. Sebastião. Se querem ser lidos, ensinem alguem a ler, a entender metáforas. Coloquem vocês a literatura no lugar que creêm ser dela.

nunca gostei de marçal aquino e aguns outros protegidos/apadrinhados da ditadura literária que domina nos grandes centros, a mídia e a idéia de cultura vigente. Escrever é guerrilha. Escrever e se possível, ainda no mesmo ato de escrever, fazer arte, é resistência.
todas as suas palavras nesse texto foram de encontro ao que penso sobre o assunto.
P.S.: ainda bem que hoje podemos escolher o caminho da independência, pois já que são poucos os que realmente lêem, no momento me contento com 5 ou 10 pessoas que realmente perdem tempo tentando compreender o que quero dizer!
Rei, eu acho o escritor brasileiro, como quase todos àqueles que se prentendem produzir arte, grandes reclamões. A insatisfação deles é fruto, tão somente, de sua preguiça mental.
Adimiro muito o Marcelino Freire e sua atuação com a Cooperifa. Ao menos ele está fazendo alguma coisa.