Mercados das Independentes
Hoje lí no Literal um artigo muito bom sobre editoras independentes e suas estratégias de mercado na américa do Sul (para ler clique aqui).
O que me impressiona é o Brasil produzir livros de luxo em editoras “independentes”. Aliás é incrível que caminhamos cada vez mais para um mercado de luxo. Os antigos sebos, que costumavam ser uma forma barata de adquirir bons livros, agora oferecem as cópias de segunda mão a preços ligeiramente abaixo das tabelas praticadas por praticamente todas as livrarias. Nem mesmo os chamados Pockets praticam preços realmente atrativos.
A internet mudou nossa relação com a música e com os filmes, está demorando para aparecer algo que vai mudar o mercado editorial. Por que isso parece exatamente o prelúdio de uma grande mudança em breve?

Ainda acho tal e-book reader meio impraticável… Pelo menos para quem está longe da tecnologia, na periferia mundial, mas acho que é o mais próximo que pode se chegar de uma “socialização” de cultura – quem sabe daqui a 50 anos?!
Mas acho o mercado editorial (e digo do brasileiro, porque é o que conheço brevemente) sinceramente elitista. Da forma que se faz e se vende livro aqui, não há incentivo que torne nossa população em leitores, e me pergunto se há mesmo real interesse em difundir cultura….
Mas um mercado precisa mirar seu público consumidor. Editoras precisam vender, cada uma tem que achar o seu nicho. Existem livros de 9,90 por aí. É só olhar a banca de jornal. E veja só, o pessoal com menos poder aquisitivo já começaria lendo os clássicos! No “mercado internacional” uma edição gira rápido o suficiente para permitir a edição do paperback depois. Aqui os livros encalham. Quanto demora para um livro sem nome vender 1000 cópias aqui?
Eric, acho sui generis que uma editora como a Cosac seja chamada de independente. Até entendo os motivos.
Acredito que as editoras investem em luxo por que o mercado é restrito à Zelite (como diria nosso nobre presidente) e para maximizar os lucros é preciso achar bons motivos para cobrar caro.
Em geral, o brasileiro lê muito pouco, anualmente são divulgadas pesquisas sobre o assunto e sempre é esta a conclusão.
Mas essa é uma questão Tostines: O Brasileiro lê pouco por que é caro, ou é caro porque o brasileiro lê pouco? Eu fico com a segunda opção. E eu sei que sua opinão é contrária à minha.
Se um dia eu for entrevistado por você, responderei com detalhes isso, até por que sei que essa é uma das suas perguntas favoritas.
Eu concordo que pockets de 9,90 são uma boa, realmente… Mas o que me emputece é que há mais ou menos um ano eu fui comprar um livro chamado “Passagens” de um certo escritor chamado Walter Benjamin e paguei olha só, 200 (sim, DUZENTOS!) reais para tal… Era um livro que não poderia deixar de ter, devido a pesquisas acadêmicas relacionadas, etc.
O que acontece é que em inglês, lá fora, o livro custa cerca de 6 vezes mais barato, a edição alemã, umas 3 vezes… Enfim, o livro não é feito em pólen 85mg, couche e tal… Mas eu ainda preferia comprar um produto mais popular, que ainda desse talvez pra comprar mais uns 2 livros do que isso…
É, a Cosac é fora da realidade mesmo!
Abs!
Mas quando a gente pensa que a livraria fica com 50% do preço do livro… e que para conseguir ter resenha em jornal você precisa ser amigo do jornalista… se não for assim, tem que se virar de tudo quanto é jeito… vai somando uma coisa aqui e outra ali e eu acabo vendo livro como um produto de preço justo. Como disse o dono da Devir, nós é que ganhamos pouco