Madame Bovary e a Crise Norte Americana
Eu entendo pouco, ou quase nada, de economia. Mas toda a situação me remete ao Romance Madame Bovary de Gustave Flaubert (Trad. Fulvia Moretto Editora Nova Alexandria). A crise americana se agravou por que, até onde eu entendo, os bancos concederam mais créditos do que o valor real dos imóveis hipotecados pelos cidadão, ainda, as pessoas hipotecaram suas casas sem precisar do dinheiro, gastando em consumo e aquecendo o mercado de forma também irreal. Quando a bolha estourou, o mundo entrou em desespero.
A história de Emma é um pouco essa, faz dívidas desnecessárias para comprar coisas desnecessárias. O Romance continua atual, é, ainda, um retrato de nossas fraquezas, de que nos rendemos ao ter e ao parecer, à prazeres etéreos, irresponsavelmente tentamos copiar as revistas e seus personagens (quem não duvida que todos que aparecem na Caras não são Personagens de sí mesmos?). Será que não aprendemos nada nos últimos 150 anos?
Os vícios e anseios de Emma são os mesmos que impregnam a chamada “sociedade de consumo”, mudaram, porém, seus incentivadores (que por sinal se tornaram mais eficientes e poderosos). Em muitos aspectos, parece claro que têm se dado muita atenção aos casos extraconjugais de Emma e de seus devaneios provincianos, mas pouco tem se falado no retrato que Flaubert fez de um padrão de comportamento em administração financeira pessoal que perdura. O finaciamento do consumo, e o seu descontrole, fizeram a tragédia de Emma e, conseqüentemente, de Charles. O autor não previu, apenas, que o agiota poderia ter dimensionado mal os bens de Charles e ter investido na relação muito mais do que podia receber. O autor não previu, porém, que este agiota teria emprestado dinheiro a centenas de mulheres de médicos, convencido todos amigos a fazer o mesmo e todos teriam dimensionado mal as garantias. Ou seriam os bancos a Madame?
Leia o livro, reflita e, se possível, seja feliz.

“e se possível seja feliz”….
e dá pra ser?
Citando de cabeça por que nunca me devolveram esse livro do Vittorini: “As pessoas precisam ser felizes, nada do que fazemos têm sentido se as pessoas não puderem ser felizes”.
Mas enfim, eu sou. Você não é?